Os dados dessa matéria são baseados nas pesquisa de Barbara Vallejos Vasquez mestre em Desenvolvimento Econômico.
A reforma trabalhista (Lei 13.467/2017) acaba de completar
seis meses de vigência. Mas seus efeitos
já foram sentidos, no pior sentido, por milhares de trabalhadores.
A reforma trabalhista criou um novo tipo de desligamento
(Art. 484 A), a demissão por comum acordo, que autoriza extinção de contrato de
trabalho mediante pagamento de metade do aviso prévio e metade da indenização
sobre o FGTS; movimentação de 80% do saldo do FGTS e, ainda, retira o acesso ao
seguro-desemprego.
De janeiro a abril já foram realizados 52.898 desligamentos
nesta modalidade. Além do expressivo volume, nota-se o aumento da utilização
desta forma de desligamento, exceto para o mês de abril, quando foram
realizados menos desligamentos na economia em geral.
As ocupações mais sujeitas a este tipo de desligamento entre
novembro de 2017 e abril de 2018 foram de “Vendedor do comércio varejista”. O
setor de atividade (Classe CNAE) com maior incidência de demissão por “comum
acordo” foi “Restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação
e bebida”, conforme as Tabelas abaixo. Quanto ao perfil, tem-se que 61% dos
desligados nesta modalidade eram do sexo masculino, 39% possuíam até 29 anos e
80% possuíam escolaridade até ensino médio completo.
Desde a aprovação da reforma trabalhista, foram contratados
quase 17 mil trabalhadores nesta modalidade. O trabalho intermitente foi mais
utilizado nos setores do comércio, serviços e construção civil. As ocupações
com maior saldo de empregos nesta modalidade de contrato são respectivamente
“assistente de vendas”, “servente de obras” e “faxineiro”, apontando, mais uma
vez, que a “moderna” reforma trabalhista é largamente utilizada em ocupações
precárias e mais sujeitas a terceirização. Isso sem contar que 93% dos
trabalhadores com contratos intermitentes possuem até o ensino médio.
Por fim, não está provado que flexibilizar o mercado de
trabalho, como realizado pela reforma, efetivamente gere empregos: o que os
estudos mostram é que a geração de empregos está ligada ao crescimento
econômico. Mas, com os gastos do governo engessados e o crédito escasso, o
crescimento hoje no Brasil patina por depender quase que somente do consumo das
famílias (e por isso obviamente do mercado de trabalho), que é justamente a
variável que se queria ajustar em 2015 com o choque recessivo.




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