Manobra contábil permitirá que IBRAPP pague salários, com dinheiro que por lei não pode ser utilizado para esse fim

Na tarde de ontem, em mais em uma sessão extraordinária, já é a sexta só esse ano, os vereadores autorizaram o repasse de uma verba extra que será destinada ao o Instituto Brasileiro de Políticas Públicas (IBRAPP), empresa que desde o ano passada é responsável por administrar o Hospital Frei Gabriel.

A verba que tem valor de 900 mil reais é oriunda de uma emenda parlamentar individual de autoria do deputado Geroge Hilton. Esse valor, segundo estabelece a portaria  565 de 2018 do Ministério da Saúde, só pode ser aplicada em serviços de alta e média complexidade. Explicando melhor esse dinheiro por lei não poderia ser aplicado na melhoria de unidades básicas de saúde, como chegou a sugerir o Vereador Bruno Augusto, já que as Unidades Básicas de Saúde não oferecem serviços de média e alta complexidade de saúde.

Esse dinheiro, diferentemente do que afirmou a vereadora Ana Claudia na reunião extraordinária passada, também não pode ser aplicada para se fazer reformas no Hospital Frei Gabriel. Essa verba de 900 mil, em tese, só poderia ser aplicada para compra de medicamentos, para aquisição equipamentos, para adquir outros insumos para o hospital. Mas, provavelmente,  grande parte desse dinheiro será usado para pagar os salários de alguns funcionários e de médicos do Hospital Frei Gabriel.

Só que isso, segundo essa mesma portaria do Ministério da Saúde, é proibido. A portaria veda que esse dinheiro seja utilizado para pagamento de pessoal e encargos sociais. Mas aí o leitor do blog deve estar se perguntando como o IBRAAP então pode usar esse dinheiro para pagar os salários de médicos e funcionários se isso é proibido pela lei?

A resposta é simples, nobre leitor, a grande parte dos médicos que atendem hoje no Hospital Frei Gabriel não são pessoas físicas, eles são pessoas jurídicas. Explicando melhor, muito dos médicos que atendem no Hospital abriram uma empresa para receber esse dinheiro não mais como funcionário do Frei Gabriel, mas como empresa que presta serviços para o hospital.



E aí que está a manobra contábil, a portaria do Ministério da Saúde não proíbe que esse dinheiro seja utilizado para quitar dividas com empresas, então é assim que alguns medico terão os salários quitados com um dinheiro que por lei não deveria ser utilizado pra esse fim.

Voltando a reunião de ontem, o projeto foi aprovado só depois de muita polêmica e discussão. Uma das principais polêmicas ainda é referente a quem teria conquistado essa verba de 900 mil reais para o município. O vereador Bruno Augusto, novamente, mostrou um oficio assinado pelo Deputado George Hilton, em que o parlamentar afirma que só concedeu essa verba devido ao trabalho desenvolvido pelo vereador frutalense.

A vereadora Ana Cláudia que na reunião passada disse que iria mostrar documentos que provam que esse montante foi solicitado primeiro pelo executivo frutalense. Pelo menos, até o momento não apresentou esse documento. Se o oficio vier a público, esse blog se compromete desde já a publicá-lo na íntegra.

Outra questão gerou bastante debate entre os vereadores é que o no projeto de lei apresentado pelo Executivo frutalense não há um detalhamento de em quais setores esses novecentos mil reais serão aplicados. Mesmo  assim, o único a votar contra o projeto foi o vereador Bruno Augusto.
O vereador justificou o voto contrário afirmando que mesmo que o IBRAPP seja obrigado a fazer uma prestação de contas a cada três meses isso não garante que esse recurso de 900 mil será bem aplicado. “Estamos dando 900 mil reais para o IBRAPP e não sabemos em que esse dinheiro será aplicado. Não temos um documento que nos dê segurança jurídica que esse montante será revertido para o bem da população. Eu sei que existem os órgãos que fiscalizam a aplicação do recurso. Mas essa fiscalização é feita muito tempo depois, se esse dinheiro for aplicado para benefícios de terceiro e não para a saúde frutalense, vai levar anos para recuperar esse valor. O povo sabe como a justiça brasileira para resolver alguns casos”.

O vereador Nene Finuh sugeriu que membros da direção do IBRAPP sejam convocados para prestar esclarecimentos sobre em quais setores esses 900 mil serão aplicados. “Mesmo achando esses esclarecimentos necessários, não acho justo atravancarmos essa votação, por isso sou favorável a repassar esse dinheiro ao IBRAP”.

Agora é esperar para ver onde esses 900 mil serão aplicados, a portaria do Ministério da Saúde que foi citada durante toda a matéria está disponivel na íntegra no link abaixo:

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