A morte sempre fascinou os
frutalenses, seja nas grandes tragédias ou nas mortes mais triviais causadas
pelo acaso, a morte de qualquer pessoa na nossa cidade sempre gera grande
comoção, debates acalorados nas redes sociais e, acima de tudo, provoca muita
mais muita curiosidade.
Por isso, mesmo depois da
tentativa de assalto aos bancos da região central da cidade que provocou pânico
e pavor nos frutalenses na última semana e infelizmente provocou a morte de uma
comerciante. Um dos assuntos que tomou conta das rodas de conversa e das redes
sociais foi a publicação de um pregão realizado pela prefeitura em 2017 na qual o executivo contratou os serviços de uma funerária.
A empresa ficaria responsável por
fazer o translado de frutalenses que por ventura falecessem em outra cidade e
não tivessem condições financeiras de serem transportadas para a nossa cidade,
além disso, essa empresa também ficaria responsável por ceder urnas funerárias
para famílias que não tivessem condições de para enterrar aqueles entes
queridos que faleceram. A gente não costuma pensar muito nisso, mas morrer
custa caro no nosso país.
O que chocou grande parte da
população foi o valor que a prefeitura iria pagar pelos serviços prestados pela
funerária que venceu o pregão, o valor é de um
milhão e oitocentos e seis mil reais. E realmente é um montante bastante
chamativo. Contudo, mais do que o valor do contrato o que realmente me chamou a
atenção foi o número de urnas funerárias que a prefeitura iria adquirir caso o
contrato fosse seguido à risca.
Aqui vale fazer um parênteses, a
prefeitura veio à público para dizer que não gastou o montante que estava
estipulado no contrato, que inclusive o contrato já não está mais em validade.
Segundo informações da própria prefeitura, o executivo gastou no último ano
pouco mais de 30 mil reais com serviços funerários.
Dito isso o que me chamou atenção
neste contrato do pregão, além do valor exorbitante é claro, foi a quantidade
de urnas funerárias que poderiam ser adquiridas pela prefeitura em um único ano.
Somando todos os modelos e tamanhos de urnas funerárias, o contrato previa que
a prefeitura poderia adquirir até 2700 caixões.
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| Documento que mostra que a prefeitura tinha a opção de comprar até 2700 caixões em apenas um ano de contrato |
Partindo do principio que esse
contrato com a funerária teria validade do dia 20 de abril de 2017 até o dia 19
de abril de 2018, ou seja, o contrato seria válido por 364 dias. Isso daria uma
média 7,3 mortes ao dia. Resumindo para que os 2700 caixões fossem utilizados
seria necessário que mais de 7 pessoas morressem todos os dias em nossa cidade.
Vale ressaltar que a prefeitura
só custeia as urnas funerárias para famílias em situação de extrema pobreza,
não são casos tão comuns que jamais chegariam a 7 por dia. Outro dado que
demonstra que a quantidade de urnas funerárias que poderiam ser adquiridas está
muito fora da realidade é que segundo o IBGE, o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, o número de óbitos ocorridos em Frutal em 2016 foi 426,
já no ano passado morreram 441 pessoas na nossa cidade. Ou seja, somando os dois
os anos foram registradas 867 óbitos.
Resumindo os 2700 caixões que poderiam
ser adquiridos pela prefeitura dariam para enterrar todas as pessoas que
morreram em Frutal em 2016 e 2017 e ainda sobrariam 1833 urnas funerárias.
Na segunda-feira, o blog procurou a Secretária de Comunicação da Prefeitura para tentar entender porque o pregão previa a compra 2700 caixões, contudo, apesar das insistências, lamentavelmente. não recebemos nenhuma reposta sobre o caso.
os dados sobre o número de óbitos registrados em Frutal nos últimos anos pode ser visto aqui no site do próprio IBGE. Basta clicar no clique no link abaixo, depois clicar em pesquisas, registro civil e lá você verá o número de óbitos registrados nos últimos anos na nossa cidade.


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